Provas Públicas de Doutoramento de Mafalda Esteves
- CIS-Iscte

- há 5 horas
- 2 min de leitura

Mafalda Esteves, estudante do Doutoramento em Psicologia, defenderá a tese intitulada "Sexualidades invisíveis: Cidadania íntima e bem-estar psicossocial na bissexualidade".
As provas públicas estão agendadas para o dia 15 de abril de 2026, às 10:30 na Sala de Provas, B327 (Edifício 4) do Iscte-Instituto Universitário de Lisboa. Informação sobre participação online e quaisquer alterações deverão ser consultadas no site do Iscte.
Resumo:
Esta tese examina as experiências de pessoas bissexuais em Portugal, respondendo à invisibilidade científica, social e política que caracteriza esta população. Apesar dos avanços formais nos direitos LGBTQI+, a bissexualidade permanece marcada por marginalização simbólica, epistémica e relacional, colocando em causa as condições de exercício pleno da cidadania. Adotando uma abordagem qualitativa, esta investigação articula contributos da psicologia crítica da saúde, psicologia social da cidadania e psicologia LGBTQI+, conceptualizando a bissexualidade como uma experiência relacional, culturalmente situada e moldada por estruturas de poder como o monossexismo. Empiricamente, desenvolveu-se uma scoping review sobre experiências bissexuais no Sul da Europa, evidenciando padrões persistentes de invisibilidade e lacunas teóricas significativas (Estudo 1); explorou-se a participação pública e a construção de cidadania através de entrevistas com ativistas bissexuais, revelando práticas de resistência e agência coletiva (Estudo 2); e analisou-se a forma como as experiências de binegatividade afetam o bem-estar, e como daí surgem estratégias quotidianas de resistência nas relações de intimidade (Estudo 3). Os estudos revelam que a cidadania bissexual se configura como parcial e ambígua: juridicamente incluída no espaço LGBTQI+, mas cultural, política e relacionalmente limitada. As pessoas bissexuais mobilizam estratégias de visibilidade, afirmação identitária e resistência em contextos institucionais, comunitários e íntimos, negociando estigmas, deslegitimação e tensões estruturais. Esta tese contribui teoricamente para o desenvolvimento do conceito de cidadania bissexual, metodologicamente para abordagens qualitativas e, ao nível das implicações práticas para a formulação de políticas públicas, práticas comunitárias e intervenções profissionais sensíveis às necessidades desta população, no contexto da Europa do Sul.
Membros do júri:
Presidente: Margarida Vaz Garrido (Iscte-Instituto Universitário de Lisboa)
Eduarda Ferreira (Universidade Nova de Lisboa)
Miguel Ángel López-Sáez (Universidad Rey Juan Carlos)
João Manuel de Oliveira (Iscte-Instituto Universitário de Lisboa)
Carla Moleiro (Iscte-Instituto Universitário de Lisboa)



