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Será que o treino musical melhora o processamento auditivo e linguístico?

Os resultados de um estudo de uma equipa de investigadores do Centro de Investigação e Intervenção Social (CIS-Iscte), do Centro de Psicologia da Universidade do Porto, e do NIHR Maudsley Biomedical Research Centre (BRC) mostram que o treino musical pode facilitar o processamento auditivo, como a perceção de diferentes tons sonoros, por exemplo; e o processamento linguístico, como a capacidade de perceber fala em condições de silêncio ou de ruído. Este trabalho, realizado no âmbito da tese de doutoramento de Leonor Neves e do projeto MUSE, ambos financiados pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, foi publicado na revista científica Neuroscience and Biobehavioral Reviews em julho de 2022.

The image of a metronome and a music score

@ 2020 Rachel Loughman / Unsplash


De acordo com Leonor Neves, primeira autora desta investigação, foram encontrados “mais de 6000 artigos sobre os efeitos do treino musical em diferentes capacidades, mas depois de aplicados alguns critérios de inclusão, chegámos a um total de 62 estudos”. Desses, os resultados de 44 foram introduzidos numa meta-análise: uma técnica estatística que integra os resultados de vários estudos independentes de forma a obter uma “medida resumo”, que é um bom indicador dos resultados globais.


A novidade deste trabalho prendeu-se também pela análise de estudos realizados com recurso a medidas cerebrais, nomeadamente através de técnicas como o eletroencefalograma (EEG). Leonor Neves faz um resumo do que foi encontrado:

“Também os estudos que recorreram a medidas neuronais parecem indicar um efeito do treino musical em diferentes estruturas cerebrais, facilitando a forma como as pessoas percebem e distinguem sons e fala, incluindo variações no ritmo e entoação da fala (isto é, a prosódia)”.

Apesar destas conclusões, a equipa de investigadores ressalva que o efeito é pequeno, e que na interpretação destes resultados é importante considerar a diversidade de metodologias ou das amostras de participantes dos estudos, bem como a presença de um viés na publicação. Ainda assim, o estudo poderá servir de base para investigação futura sobre o treino musical, e para as suas aplicações práticas, como intervenções com recurso à música.

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