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Relatório conjunto do Conselho da Europa e a Comissão Europeia avalia transição da juventude rural

  • Foto do escritor: CIS-Iscte
    CIS-Iscte
  • 25 de fev.
  • 3 min de leitura

Atualizado: 2 de mar.

Foi lançado o relatório da Youth Partnership, uma parceria entre o Conselho da Europa e a Comissão Europeia, sobre as transições da juventude rural antes e depois da pandemia da Covid-19. Francisco Simões, investigador do Centro de Investigação e Intervenção Social (CIS-Iscte) do Iscte-Instituto Universitário de Lisboa é primeiro autor deste documento.


© Conselho da Europa e Comissão Europeia
© Conselho da Europa e Comissão Europeia

O relatório, intitulado “Here to stay? The transitions of rural youth before and after the Covid-19 pandemic”, examina as experiências de jovens de 14 países europeus, entre os 18 e os 30 anos, que vivem em contexto rural, entre 2019 e 2023. A investigação foi realizada através de dados do Eurostat e do Eurobarómetro, de análises de políticas, práticas e projetos, bem como das perceções de jovens. Nesta análise multi-método, a equipa de trabalho analisou seis dimensões, nomeadamente a educação, os sistemas de apoio, a participação jovem, o emprego, a mobilidade e o acesso ao lazer, à cultura e ao desporto.


De uma forma geral, os resultados indicam um progresso heterogéneo na transição de jovens rurais no período analisado. Embora existam tendências positivas, como o aumento da participação do ensino superior e a redução da taxa de jovens NEET (nem em educação, nem em emprego ou formação), estes progressos contrastam com desafios persistentes, incluindo o declínio da população jovem, o aumento do desemprego, fraca participação cívica e desvantagens estruturais no mercado de trabalho das zonas rurais. Em termos de políticas, a juventude rural não é, na maior parte dos casos, encarada como um subgrupo com necessidades específicas, o que resulta em políticas fragmentadas e pouco direcionadas. Sobre as iniciativas sociais e redes internacionais que incidem sobre a educação, o emprego e a saúde mental destes jovens, Francisco Simões afirma que “o impacto das iniciativas existentes é limitado por fraca coordenação intersectorial, financiamentos pontuais, baseados em projetos, e falta de sustentabilidade a longo prazo das iniciativas locais”. Os dados indicam ainda que o apoio comunitário informal parece colmatar as falhas identificadas no apoio institucional.


Relativamente ao emprego, embora os e as jovens relatem envolvimento na sua atividade, o trabalho é visto apenas como moderadamente digno e com significado. O sucesso do emprego parece depender largamente do acesso a transporte (por exemplo, ter carro próprio) e de capital social (como redes de contactos) em detrimento do apoio institucional providenciado pelos serviços públicos de emprego. “Estes padrões identificam problemas estruturais no mercado de trabalho em contexto rural”, clarifica Francisco Simões, acrescentando que “as políticas de emprego para a juventude rural devem priorizar trabalhos dignos e com significado que se alinhem com os objetivos para o desenvolvimento rural e a coesão territorial”. Apesar de ser comum pensar-se que a juventude rural quer abandonar as zonas rurais e viver em meios urbanos, os dados do relatório indicam precisamente o contrário, com a maioria dos jovens rurais a preferir permanecer nas suas comunidades. Esta tendência é justificada pela influência crescente da comutação, migração circular e dos custos de vida elevados em centros urbanos.


De acordo com o relatório, o investimento nos sistemas de apoio informal é fulcral para melhorar os recursos da juventude rural, pelo que a equipa apela ao investimento numa infraestrutura social que promova a cooperação entre as diferentes partes interessadas através de modelos de governação participativa. “A integração de jovens rurais nos programas nacionais e europeus só faz sentido se for realizada numa base comunitária”, conclui o investigador. O relatório foi recentemente disponibilizado online no site Youth Partnership e os seus resultados foram discutidos em outubro de 2025, num podcast que contou com a participação de Francisco Simões.


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