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Projeto JUSTENERGY informa sobre o papel dos media na narrativa sobre a transição energética

A investigadora Susana Batel (CIS-Iscte) apresentou recentemente os resultados do primeiro e segundo estudos do projeto JUSTENERGY (EXPL/COM-CSS/1510/2021), financiado por fundos nacionais através da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia, I.P., em diversos eventos de disseminação.

© 2023 Hugo Cruz | Iscte


O JUSTENERGY investigou num primeiro estudo a forma como a comunicação mediática sobre a transição para a energia verde em Portugal se relaciona com a retórica populista de direita, e num segundo estudo analisou como a transição verde está a ser recebida nas comunidades dos territórios onde estão a ser construídas infraestruturas de geração de energias renováveis de larga escala, como parques eólicos e centrais solares, como são os casos da Graciosa e Castelo de Vide, territórios que registaram também uma maior presença do Chega, por forma de coligação ou aumento de votos, respetivamente, nas últimas eleições. O projeto pretende assim compreender e propor recomendações para como os decisores políticos podem promover uma transição para a energia verde mais justa e inclusiva. Para além de divulgação nos órgãos de comunicação social (Público, Executive Digest) a equipa do projeto organizou diversos debates sobre os resultados destes dois estudos, ao longo do mês de novembro.


A 11 de novembro, na ilha Graciosa, António Reis (Presidente da Câmara Municipal de Santa Cruz da Graciosa), Duarte Silva (Chefe Central da Graciólica), Paulo Espínola (Presidente do Conselho Executivo do Centro Escolar da Graciosa) e Susana Batel reuniram-se numa mesa-redonda para discutir os resultados dos dois estudos. Um dos principais pontos de discussão foi em torno do crescimento de votos no Chega e como isso se relaciona com a falta de soluções políticas dos governos atuais a níveis nacional e regional para resolverem problemas estruturais e fulcrais de territórios mais periféricos, como este. Alguns dos problemas mais difíceis de resolver atualmente na Graciosa e que se apresentam como uma barreira ao desenvolvimento socioeconómico da ilha são a falta de qualidade da água, falta de produção local de bens essenciais e falta de saneamento básico nalgumas zonas da ilha e de uma estação de tratamento de resíduos. O projeto Graciólica, composto por um parque eólico, central solar e armazenamento de energia, foi assim discutido como um projeto que podia ter gerado mais contrapartidas em termos de desenvolvimento socioeconómico local.

© 2023 Maria Mascarenhas Alba | Iscte


Também a 22 de novembro, o debate “O papel dos media, entre os populismos de direita e uma transição justa, em Portugal: Discussão de resultados do projeto exploratório FCT JUSTENERGY”, que se focou na discussão dos resultados do primeiro estudodo projeto e decorreu no Iscte – Instituto Universitário de Lisboa, reuniu a líder do projeto com Clara Barata (Jornalista no jornal Público), Tiago Sigorelho (Presidente da Direção do Gerador), Manuel Afonso (Ativista na Campanha Empregos para o Clima), Islene Façanha (Ativista climática e analista de políticas públicas na Zero). Alguns dos principais pontos de discussão foram a relevância de se considerar que a justiça climática está no centro das respostas a várias das crises que as nossas sociedades estão a atravessar, e que os meios de comunicação social têm um papel cada vez mais importante em discutir de forma informada e aprofundada as causas e possíveis soluções para a crise climática que vivemos e que é tão urgente endereçar. Este debate ficou registado em formato áudio, que pode escutar aqui:


© 2023 Hugo Cruz | Iscte


Finalmente, a equipa do projeto reuniu em Castelo de Vide, a 25 de novembro, para discutir os resultados dos dois estudos do projeto com Ana Paula Travassos (Diretora do Agrupamento de Escolas de Castelo de Vide), António Simão (Presidente da Junta de Freguesia de Nossa Senhora da Graça de Póvoa e Meadas), Tiago Malato (Antigo Vereador do PS em Castelo de Vide). Aqui, um dos principais pontos de discussão foi a falta de engajamento das comunidades locais nos planos concretizados e discutidos para a construção de centrais solares no município. Foi também referida como a desertificação deste território, associada ao desinvestimento crescente em termos da capacitação dos meios rurais com infraestruturas e serviços básicos, leva à erosão de uma cidadania mais ativa e informada por parte da sua população. Discutiu-se assim a necessidade de representantes políticos que tenham conhecimento sobre questões associadas à transição energética e justiça climática e participem em sessões de discussão sobre as mesmas com as comunidades locais e reivindiquem os seus direitos junto do governo central. Os aumentos de votos no Chega são assim vistos como protesto à incapacidade do governo de resolver os problemas locais e de revolta face ao abandono destes territórios mais rurais. A transição energética é assim vista como mais uma forma de continuar esta atitude extrativista em relação às zonas rurais, sem benefícios para as comunidades locais.

© 2023 Maria Mascarenhas Alba | Iscte


Susana Batel espera que estas discussões contribuam “para uma melhor compreensão dos desafios e oportunidades da transição para a energia verde, informando os profissionais dos meios de comunicação social, mas também que apoie os decisores políticos e os cidadãos a agir". O primeiro estudo do projeto, já submetido para publicação, é da autoria de Susana Batel (CIS-Iscte), Andreia Valquaresma (CIS-Iscte), Ana Isabel Afonso (CRIA-Univ.Nova), Rita Guerra (CIS-Iscte) e Luís Silva (CRIA-Univ. Nova). Uma sistematização dos seus resultados principais está disponível para consulta aqui:

JUST ENERGY Factsheet
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