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As imagens dos jovens institucionalizados e o seu impacto nas suas auto-representações e bem-estar / The images of institutionalized youth and their impact upon their self-representations and well-being

Funded by FCT
FCT / CAPES; 01/04/2013 to 31/03/2015

Abstract (em português)

O presente projecto baseou-se na ideia de que o self se desenvolve com base num processo contínuo de interacção social alterando-se à medida que os indivíduos se movem em contextos sociais e fases de vida diferentes, sendo determinado, em grande medida, pela comunidade em que cada um se desenvolve. Especificamente, e de acordo com Mead, a Auto Representação (AR) é moldada por narrativas que são comuns na cultura dos grupos e indivíduos de uma mesma comunidade – i.e. os “outros generalizados” ou o contexto sociocultural em que o indivíduo se insere.

Os processos que explicam as múltiplas influências sociais na construção da AR, bem como o seu impacto no bem-estar psicológico, assumem particular importância em jovens em acolhimento residencial. Retirados do contexto familiar e colocados em instituições, estes jovens são expostos a contextos sociais específicos nos quais profissionais e comunidade envolvente contribuem para a sua AR.

Este projecto aborda três questões chave, e ainda pouco exploradas, acerca das AR de jovens em acolhimento residencial de longa duração: 1) a sua imagem social; 2) as suas AR e como estas são socialmente construídas; e, 3) as implicações das AR e do sentido de comunidade (SC) para o seu bem-estar e saúde psicológica.

Os primeiros dois estudos investigaram as imagens sociais dos jovens em acolhimento residencial. A literatura indica que estes jovens são rotulados socialmente e crescem em circunstâncias mais adversas que outras crianças. No entanto, as imagens sociais a ele associadas não foram estudadas de forma sistemática nem em Portugal, nem no estrangeiro. Assim, pretendemos analisar o conteúdo das imagens que leigos e profissionais têm sobre estes jovens, verificando se estas incluem traços/atributos mais negativos quando comparadas com as imagens de jovens que vivem em contexto familiar (Tarefas 1 e 2). O terceiro estudo explorou o modo como as imagens sociais influenciam o processo de construção da AR. Para tal analisámos a influência das “Hetero-Representações dos outros em geral” (HRG) e das “Meta-Representações dos outros em geral” (MRG) na AR destes jovens (Tarefa 3). Uma vez que as relações entre a HRG e a MRG e a AR apresentam evidências divergentes, a necessidade de estudar os mecanismos subjacentes a estas relações torna-se crítica. Especificamente, a existência de variabilidade na AR entre indivíduos de um mesmo grupo indica que características individuais, sociais e contextuais podem ser consideradas enquanto potenciais variáveis moderadoras. Assim, pretendemos verificar em que medida variáveis psicossociais como a identificação com o grupo, o suporte social e o contexto de inserção comunitária e educativo moderam a relação entre as MRG e a AR, e como características individuais como a idade e duração do acolhimento moderam a relação entre a HRG e a AR.

Estudos anteriores demonstraram também que a relação entre as HRG e o bem-estar é mediada pela AR. Por outro lado, têm sido encontrados resultados consistentes que associam o SC às auto-percepções positivas e ao bem-estar psicológico em adolescentes. No entanto, estes estudos foram desenvolvidos apenas com crianças a viver com as suas famílias biológicas e em comunidades relacionais que não residências de acolhimento (e.g., escola). Neste sentido iremos testar o impacto da HRG e da AR e do SC no bem-estar e saúde psicológica dos jovens (Tarefa 4), controlando variáveis da residência (número de jovens) e da história da criança anterior à institucionalização (abuso parental e nível socioeconómico da família).

As implicações teóricas deste projecto são relevantes para uma melhor compreensão dos processos subjacentes à construção da AR e do seu impacto no bem-estar dos jovens em acolhimento residencial atendendo a um conjunto de variáveis psicossociais, nomeadamente a identificação com o grupo, o suporte social e o contexto de inserção comunitária enquanto variáveis moderadoras, e o sentido de comunidade como variável mediadora.

A um nível aplicado os resultados deste projecto poderão ser relevantes para a definição de estratégias para melhorar os contextos de desenvolvimento de jovens em acolhimento residencial. Especificamente, os resultados obtidos podem informar sobre que stressores existem nos contextos de socialização destes jovens (e.g. residência, escola, tempos livres), permitindo elaborar recomendações sobre práticas de socialização positiva que podem ser desenvolvidas em programas de prevenção e intervenção. Estas podem incluir formação de professores/educadores, o fortalecimento de contextos comunitários, bem como de actividades que promovam o sentido de comunidade e a qualidade da inserção dos jovens na comunidade, o desenvolvimento de auto-eficácia e, em última instância, o bem-estar dos jovens em acolhimento.



Abstract (em inglês)

This project is based on the idea that the self develops in an open-ended constructive process encompassing changes and revisions as individuals move throughout life stages and social contexts and is largely determined by the community in which one grows up. Specifically, and according to Mead Self Representation (SR) is shaped by narratives that are common in the culture of individuals and groups of the same community – that is, “generalized others” or the sociocultural environment of the individuals. The processes that explain the multiple social influences on SR construction and their impact on psychological well-being assume particular relevance for youth in residential care (RC). Removed from their home environment to alternative placements, these individuals are exposed to specific social contexts where caregivers and caregiving environments have important implications for SR.

This project addressed three key, yet unexplored, questions about SR of youth in long-term residential care. These questions refer to: 1) their social images; 2) their SR and how they are socially constructed, and 3) the implications of SR and sense of community (SC) on their well-being and psychological health.

The first two studies investigated the social images of youth living in residential care. Research indicates that these individuals are socially labelled and grow up in more adverse circumstances than other children. However, the social images of this group have not yet been systematically studied both in Portugal and abroad. It was our aim to investigate the content of such social images held by lay people and professionals, namely if they include particular negative traits/attributes when compared with the social images of children living in their family environments (tasks 1 and 2).

The third study explored how the social images influence the process of SR construction. Therefore we analyzed how “generalized others’ actual appraisals” (GAA) and “generalized others’ reflected appraisal” (GRA) affect the SR of youth in residential care (task 3). Because the relations between GAA and GRA and SR have been producing conflicting evidence, it is critical to explore their underlying mechanisms. Specifically, the existence of variability in SR across individuals within the same group indicates social and community context as well as individual characteristics as potential moderator variables. Thus we explored how psychosocial variables such as group identification, social support , and the exposure to multiple educational and community contexts can act as moderators between GRA and SR, and how individual characteristics such as age and placement length may moderate the relation between GAA and SR.

Previous research also indicates that the relation between “others’ actual appraisals” and well-being is mediated by SR. On the other hand, the literature has produced consistent results associating sense of community to positive self-perceptions and psychological well-being in adolescents. However these studies were conducted only with children living with their biological families within relational communities (e.g., schools) other than long term residential care facilities. Therefore, we tested the impact of GAA, SR and sense of community in well-being and psychological health of the youngsters (task 4). In these studies we also controlled for residential care variables (e.g., number of hosted young individuals), and pre-care child history (e.g., parental abuse, family socioeconomic status).

The theoretical implications of this research project are relevant for a better understanding of the processes underlying SR construction and its impact on well-being of youth in residential care. We emphasize the consideration of a set of psychosocial variables, namely group identification, social support and community embeddedness as moderators and sense of community as mediator.

Applied implications can be envisaged in the definition of institutional policies and practices to improve developmental contexts in residential care. Specifically, the obtained results may inform about the existing stressors in the socialization context of these youngsters (e.g., residence, school, recreational) and recommendations about positive socialization practices that may be implemented in prevention and intervention programs. These may include activities directed toward the enhancement of teachers/ tutors skills, social support and sense of community, development of the self-efficacy and ultimately well-being among youth in long term residential care.

 
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