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(Não apenas) Limpeza étnica: Corporização do preconceito enquanto limpeza corporal. / (Not only) Ethnic cleansing: Embodiment of prejudice as physical cleaning

Funded by FCT
PTDC/PSI-PSO/120015/2010; 20/03/2012 to 31/12/2015

Abstract (em português)

O preconceito tem sido muito estudado, mas pouco se sabe sobre como o preconceito se constrói inconscientemente, ou como o preconceito influencia inconscientemente o comportamento social dos indivíduos. Este projeto pretende integrar três temáticas da literatura da Psicologia Social para colmatar esta lacuna e responder à necessidade de criar novas intervenções sustentáveis visando melhorar as relações intergrupais. O projeto baseia-se em desenvolvimentos recentes na literatura de   mecanismos que evoluíram estando presentes nas reações preconceituosas; cognição social corporizada; e  no papel das crenças essencialistas no contexto intergrupal.

Tem sido sugerido que reações preconceituosas involuntárias podem ter por base mecanismos que evoluíram para promover a adaptação humana. Certas formas de preconceito podem ter evoluído como meio de prevenir contágio por micróbios/germes/parasitas mortais. Estudos mostram que quando as pessoas se sentem vulneráveis a doenças, são mais preconceituosas face a outras com sinais de saúde débil (deficientes) ou que possam transportar novos germes (novos imigrantes). Este projeto, além de inspirado nestes conhecimentos, procura explorar uma compreensão alternativa para o papel da experiência do contágio na formação e expressão do preconceito. Propõe-se que o preconceito face a exogrupos essencializados pode ser corporizado através da limpeza corporal. Cremos que a nossa abordagem permitirá predizer e explicar mais fielmente quando, porquê, e quais os grupos com maior probabilidade de ser alvo de preconceito.

Estudos mostram que algumas diferenças intergrupais são essencializadas. Isto significa que alguns exogrupos são percepcionados como tendo uma essência diferente da do endogrupo. São normalmente vistos como poluidores da essência do endogrupo e alvo de preconceito. O contacto com exogrupos essencializados pode ser representado como contágio corporal. Estudos mostram que as representações do próprio indivíduo e dos endogrupos relevantes se sobrepõem e que estes endogrupos podem ser experienciados como parte do próprio indivíduo e representados na sua auto-imagem corporal. Assim, o preconceito face a exogrupos vistos como contaminadores da essência do endogrupo pode estar corporizado. Contacto com estes exogrupos pode ser visto como poluidor do próprio corpo e evocar a necessidade de limpeza corporal.

Tal raciocínio oferece duas previsões teóricas inovadoras. Primeiro, reações ao preconceito podem ser reduzidas quando as diferenças intergrupais são desessencializadas. Estudos recentes confirmam que as diferenças intergrupais podem ser essencializadas ou desessencializadas, dependendo do contexto intergrupal (PoMoHo09). Segundo, a limpeza corporal pode reduzir a associação entre crenças essencialistas e preconceito, pois diminui a necessidade de limpeza. A literatura da corporização sugere que, quando os conceitos abstratos estão fundamentados em conhecimento concreto e empírico, a ativação desses conceitos envolve a simulação de experiências concretas. Esta associação é bidirecional, e a manipulação destas experiências fundamentadas pode afetar os conceitos abstratos. Apoiando a segunda previsão, estudos recentes mostram que o cheiro a limpo reduz o preconceito.

Pretendemos conduzir três linhas de investigação experimental (10 estudos com 1050 participantes), analisando  se o contacto com exogrupos essencializados aumenta a necessidade de limpeza. Baseados em estudos anteriores, hipotetizamos que se o preconceito estiver corporizado na limpeza física, esta necessidade deverá ser específica às partes do corpo envolvidas no contacto (Ba08; LeSc10a). Seguidamente, examinaremos  se as crenças essencialistas sobre exogrupos moderam este efeito. Quanto mais essencializadas as diferenças intergrupais, maior deverá ser a necessidade de limpeza pós-contacto. Por fim,   a limpeza corporal deverá, pelo menos temporariamente, diminuir a associação entre crenças essencialistas e preconceito, e diminuir o preconceito em relação a exogrupos essencializados. Assim, este projeto pretende produzir importantes avanços teóricos e também implicações de valor aplicado, considerando quando e como os efeitos indesejáveis do preconceito podem ser diminuídos.

A equipa inclui especialistas em cognição social corporizada, que investigaram a corporização da sobreposição indivíduo/endogrupo, a associação corporizada entre moralidade, pureza corporal e nojo. Inclui especialistas em relações intergrupais, que estudaram a relação entre sentimentos face ao endogrupo e derrogação de exogrupos, e o papel da ameaça à distintividade do endogrupo nas relações intergrupais. Os membros da equipa têm vasta experiência na condução de estudos empíricos, um ótimo registo de projetos de investigação concluídos com sucesso e publicações em revistas internacionais com revisão científica.

 

Abstract (em inglês)

 

Extensive research notwithstanding, it is still not well understood how prejudice forms outside of people’s awareness and how it influences social behavior despite people’s conscious intentions. This project aims at integrating three themes in social psychological literature in order to address this gap in our knowledge and respond to the existing need for new, cost-effective and sustainable interventions to improve intergroup relations. The project builds up on recent developments in literatures on   involvement of evolved mechanisms in prejudiced reactions;   embodied social cognition and   the role of essentialist beliefs in intergroup contexts.

It has been suggested that involuntary prejudiced reactions may be based on mechanisms evolved to promote human adaptation. Some forms of prejudice might have evolved to prevent contamination by life-threatening microbes, germs and parasites. Studies show that when people feel vulnerable to disease they are more prejudiced towards those who bear signs of poor health (disabled people) or can carry new germs and diseases (new immigrants). This project is inspired by such insights. However, it seeks to explore an alternative understanding of the role of the experience of contamination in prejudice formation and expression. More specifically, it plans to examine a proposition that prejudice towards essentialized out-groups may be embodied as physical cleansing. We believe that our approach will allow us to accurately predict and explain which groups are likely to be targeted by prejudice, when and why.

Studies show that some intergroup differences are essentialized. This means that some out-groups are perceived as of different essence than the in-group. They are often seen as polluting the in-group´s essence and targeted by prejudice. The embodied social cognition literature provides reasons to think that contacts with essentialized out-groups may be represented as contamination of the physical self. Studies show that representations of the self and important in-groups overlap and that such in-groups may be experienced as parts of self and represented in one´s body image (PaMaPaSc10). Thus, prejudice towards out-groups perceived as contaminating the essence of an in-group may be embodied. Contacts with such outgroups may be experienced as polluting one’s body and evoke a need for physical cleansing.

This reasoning offers two innovative theoretical predictions. First, embodied prejudiced reactions can be reduced when intergroup differences are de-essentialized. Studies confirm that intergroup differences can be essentialized or de-essentialized depending on intergroup contexts. Second, the experience of physical cleansing may reduce the link between essentialist beliefs and prejudice because it reduces the need for cleansing. The embodiment literature suggests that when abstract concepts are grounded in concrete, experiential knowledge, activation of such concepts involves the simulation of foundational, concrete experiences. This link is bidirectional. Manipulation of the grounding experiences is likely to affect the abstract concepts (Ba08). Supporting the second prediction, recent studies show that clean smell reduces prejudice. We plan to conduct three lines of experimental studies (10 studies with 1050 participants). We will investigate   whether a contact with members of essentialized out-groups increases a need for cleansing. Based on previous studies we expect that if prejudice is embodied as physical cleansing this need should be specific to the body parts engaged in the contact (Ba08; LeSc10a). Next, the project will examine   whether essentialist beliefs about the out-group moderate this effect. The more the intergroup differences are essentialized, the stronger the need for cleansing after the contact should be. When intergroup differences are de-essentialized the link between prejudice and the need for cleansing should be reduced. Finally,   physical cleansing should, at least temporarily reduce the link between essentialist beliefs and prejudice and reduce prejudice towards essentialized out-groups. Thus, this project is likely to produce not only important theoretical advancements but also implications of applied value regarding when and how undesirable effects of prejudice can be reduced.

The project team includes experts in embodied social cognition who studied the embodiment of the self/in-group overlap, and the embodied link between moral and physical purity and disgust. It includes experts in intergroup relations who studied the link between in-group feelings and out-group derogation and the role of threat to in-group distinctiveness in intergroup relations.

Team members have extensive experience conducting empirical research and a very good record of successfully completing research projects and publishing in international peer reviewed journals.

 

 
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