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Heterogeneidade percebida e validação do conhecimento quotidiano: Quando os membros de um grupo avaliam a validade dos seus próprios resultados. / Perceived heterogeneity and validation of everyday knowledge: When group members evaluate the validity of their own production /

Financiado pela FCT
PTDC/PSI-PSO/115096/2009; 01-03-2011 a 28-02-2014

Abstract (em português)

No dia-a-dia somos confrontados com informação consensual sob a qual baseamos ou formulamos as nossas opiniões, julgamentos e decisões. Estas decisões carecem, normalmente, de validade de forma a tornar mais eficaz a nossa relação com o meio envolvente, e de modo a fornecer uma visão correcta e coerente da realidade. Contudo, nem sempre o consenso é considerado “bom consenso”, ou seja, o consenso nem sempre é uma garantia de validade. De facto, muitas vezes necessitamos de informação que ajuda a qualificar este consenso, por exemplo informação respeitante à semelhança ou dissemelhança daqueles que o suportam em termos das suas características sociográficas (e.g., idade ou sexo) ou de personalidade (e.g., traços de personalidade). No seguimento de Mettee e Smith (20), argumentamos que esta informação afecta a nossa atribuição de validade ao conhecimento quotidiano, já que outros percebidos como semelhantes são alvos preferenciais de comparação no contexto da validação consensual do conhecimento, i.e., da confirmação de conhecimento que se encontra previamente estabelecido; ao passo que outros percebidos como dissemelhantes são considerados fontes de informação particularmente valiosa no contexto da construção e validação de novo conhecimento. Em estudos anteriores (31;32) mostrámos, justamente, que opiniões consensuais de grupos percebidos como heterogéneos no que toca à sua composição interna, ie., grupos compostos por membros percebidos como dissemelhantes em termos das suas características sociográficas (e.g., frequência de diferentes licenciaturas) ou psicológicas (e.g., diferentes traços de personalidade), são investidas de maior validade, do que opiniões consensuais de grupos percebidos como homogéneos, i.e., grupos compostos por membros percebidos como semelhantes naquelas características (e.g., frequentando a mesma licenciatura; com traços de personalidade semelhantes). A heterogeneidade grupal, entendida aqui como informação que caracteriza a composição interna de um grupo , permite a distinção entre “bom” e “mau” consenso percebido. Na realidade, um posicionamento consensual de um grupo homogéneo pode induzir a ideia de que os indivíduos semelhantes estão de acordo apenas porque partilham uma mesma, talvez enviesada, visão da realidade. Pelo contrário, um posicionamento consensual de um grupo heterogéneo torna improvável que se perceba este acordo como o produto de enviesamentos partilhados, podendo ser percebido como fruto da participação ou contribuição individual e independente de indivíduos dissemelhantes em termos de características sociológicas ou psicológicas. Outros estudos que realizámos mostraram alguns constrangimentos situacionais ao processamento e utilização da informação sobre a heterogeneidade. Lopes e Vala evidenciaram que a utilização desta informação pode ser moderada por factores situacionais, tais como a manipulação de contextos de independência ou interdependência. Igualmente, Lopes (2001, dados não publicados) mostrou que participantes sob pressão para a exactidão recordaram mais informação sobre heterogeneidade do que os participantes sem esta pressão. Augustionva et al.  mostraram que a validade de uma decisão colectiva não é apenas função da composição do grupo (homogéneo vs. heterogéneo), mas também da disponibilidade de informação acerca do processo de decisão grupal, i.e., a eficiência da partilha de informação durante a discussão grupal. Mais recentemente, Vala et al. analisaram os factores que medeiam a percepção de heterogeneidade, tendo concluído que esta induz a percepção de participação dos membros de um grupo o que, por sua vez, faz aumentar a percepção de validade das opiniões deste grupo. No entanto, estes primeiros estudos possuem um denominador comum que impõe alguns constrangimentos à nossa compreensão geral deste fenómeno: os participantes são observadores externos relativamente aos grupos e aos produtos que avaliam, tendo que basear a sua avaliação em informação fornecida através de paradigmas experimentais estritos e minimais. Igualmente, permanece por esclarecer dos estudos anteriores como é que a informação acerca da heterogeneidade grupal é processada, isto é, se pode ser tomada como uma heurística ou, pelo contrário, se implica que os indivíduos a processam de forma sistemática. Finalmente, nestes estudos a análise da validade atribuída ao conhecimento quotidiano era enquadrada num contexto de relações simétricas, e não em situações onde categorizações grupais socialmente relevantes se tornam salientes. No presente projecto de pesquisa, era nossa intenção estudar os efeitos da heterogeneidade nas situações em que a validade dos produtos dos grupos é avaliada pelos seus próprios membros, tendo estes participado activamente na sua produção. Analisámos, também, causas, efeitos e consequências da percepção de heterogeneidade, tanto em contextos simétricos como em contextos em que categorias socialmente relevantes se tornam salientes.

Abstract (em inglês)

In everyday life, we are constantly faced with information on consensus based on which opinions, judgements, and decisions are formed. These decisions demand validity in order to make our relation with the environment more efficacious and in order to provide a coherent and correct view of reality  . But consensus might not always be considered a “good consensus”, ie. a guarantor of validity. In fact, people might also look for information that helps qualifying this consensus, for example information regarding similarity or dissimilarity of those that support it in terms of their sociographic (e.g., age or sex) or personality characteristics (e.g., personality traits). Following Mettee e Smith (20), we argue that this information affects our attribution of validity to everyday knowledge, since others perceived as similar are preferential targets of comparison within a context of consensual validation of knowledge, ie. contexts where it suffices to confirm previously established knowledge; others perceived as dissimilar are preferred as sources of valuable information within contexts of construction and validation of new knowledge. In previous studies (30;31) we showed that consensual opinions supported by groups perceived as heterogeneous in terms of their internal composition, ie. groups composed by members perceived as dissimilar in terms of their sociographic (eg., following different majors) or psychological characteristics (eg., differing in personality traits), are invested with greater validity than consensual opinions supported by homogeneous groups, ie. groups composed by members perceived as similar in these same characteristics (eg., following similar majors; similar in personality traits). Group heterogeneity, conceived here as information that characterizes the internal composition of a group  , helps distinguishing between “good” and “bad” perceived consensus. In fact, a consensual position of a homogeneous group might induce the idea that similar individuals came into agreement just because they share the same base, perhaps biased, view of reality (9;10). On the contrary, a consensual position of a heterogeneous consensus downgrades the hypothesis that this consensus is the product of shared bias, opening the possibility of perceiving consensus as based on the participation or individual and independent contribution of members that do not share the same sociological or psychological characteristics (32;10;9). Other studies that we run in this topic aimed at analyzing the situational constraints in the use and processing of heterogeneity information. Lopes & Vala (17) showed that the use of group heterogeneity information can be moderated by situational factors, such as the manipulation of an independence context or of an interdependence context  . Also, Lopes (2001, unpub, data) showed that participants recalled more information about heterogeneity under pressure for accuracy than when no pressure was induced. Moreover, Augustinova et al.   evidenced that the credibility of a collective decision is not only a function of group composition (heterogeneous vs, homogeneous), but also depends on the availability of information about the decision-making process, ie. the efficiency of information sharing during group discussion. More recently, Vala et al. (17) analyzed the factors that might mediate perceived heterogeneity, having concluded that heterogeneity induced the perception of group members’ participation, which in turn raised the perception of validity of group’s opinions. Nevertheless, these first studies have a common denominator that might impose some restriction to our full understanding of this phenomenon: participants are external observers regarding the groups and outgroups they are evaluating and thus have to base their evaluation on the information given in strict and minimal experimental paradigms. Also, it remains unclear from previous studies how information about heterogeneity or homogeneity is processed, ie, if it is the case that heterogeneity can be taken as a heuristic cue or, on the contrary, it implies that individuals engage in effortful systematic reasoning in order to process it. Finally, in these studies the analysis of validity attributed to group’s everyday knowledge is framed within a context of symmetrical relations, and not in situations where socially relevant categorization of group members becomes salient. In the present research project, it was our intention to study the effects of perceived heterogeneity in situations where group members actually participating in the production of outputs evaluate its validity. We also analyzed causes, effects and consequences of perceived heterogeneity, both in symmetrical as well as in contexts where socially relevant categorizations become salient. 

 
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