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Quanto precisamos deles? Uma perspectiva intergrupal funcional de assimilação e integração entre grupos de diferente estatuto / How much do we need them? A functional intergroup perspective of assimilation and integration among different status groups

Financiado pela FCT
PTDC/PSI-PSO/119534/2010; 01-03-2012 a 31-08-2015

Abstract (em português)

A investigação sobre redução do preconceito revela que induzir membros de diferentes grupos a definirem-se como membros de um grupo mais inclusivo melhora as atitudes intergrupais. No entanto, a eficácia das diferentes estratégias de recategorização, i.e. grupo único e dupla identidade (saliência simultânea das identidades subgrupais e supraordenada), para grupos maioritários e minoritários não é ainda clara. A investigação tem revelado resultados divergentes: em alguns casos uma estratégia mais integracionista (dupla identidade) é mais eficaz para reduzir o preconceito em grupos minoritários; no entanto, outros estudos revelam que tornar saliente um grupo único, é uma estratégia mais eficaz para as minorias. Investigação recente na área da aculturação mostrou também que a integração pode ser uma espada de dois gumes para as minorias, estando simultaneamente associada a consequências positivas (melhor adaptação psicológica), e a consequências negativas (maior vulnerabilidade face à rejeição por parte da maioria).

Este padrão divergente de resultados vai no sentido da perspectiva funcional das relações intergrupais, em que a representação preferida para maiorias e minorias depende da estratégia que mais eficazmente promove os objectivos de cada grupo.

Este projecto analisa de que forma a indispensabilidade percebida dos grupos para a categoria nacional supraordenada pode explicar a perspectiva funcional das relações intergrupais. Propomos duas formas de indispensabilidade dos grupos: indispensabilidade identitária, ou seja a noção de que todos os grupos fazem parte de uma identidade mais inclusiva, e são indispensáveis para a sua definição; e com base nos trabalhos de Weber e Hertel (2007) sobre ganhos motivacionais, a indispensabilidade funcional (i.e. a instrumentalidade percebida dos grupos para objectivos supraordenados).

Este projecto contribui para a literatura existente ao explorar como diferentes conceptualizações de identidades nacionais comuns, existentes em diferentes contextos sociais, influenciam os objectivos dos grupos e as suas estratégias de integração. Assim, a principal contribuição teórica deste projecto é testar a perspectiva funcional das relações intergrupais, examinando o impacto de diferentes conceptualizações de identidade nacional na eficácia das estratégias de dupla identidade e grupo único, explorando o papel mediador da indispensabilidade identitária e funcional.

Com base na distinção entre identidade nacional étnica (definição da pertença nacional em termos de etnicidade, ligações históricas e linguísticas, e homogeneidade cultural) e identidade nacional cívica (a pertença ao grupo nacional não depende de critérios de ancestralidade, mas sim de cidadania, e contribuição para a vida pública), temos 4 pressupostos:

Uma identidade nacional étnica irá criar, nas minorias, a percepção de que o grupo maioritário os considera como tendo uma baixa indispensabilidade identitária para a definição do grupo nacional. Deste modo, as minorias reagirão de forma mais positiva a um modelo representacional de grupo único, que melhor assegura a sua pertença à cultura maioritária.

Nestes contextos, o grupo maioritário adoptará um modelo de dupla identidade, que lhe permitirá diferenciar-se positivamente, ou mesmo um modelo separatista, dependendo de quanto percepciona o grupo minoritário como funcionalmente indispensável para uma economia que depende dele para ocupar postos de trabalho menos qualificados.

Uma identidade nacional cívica será mais inclusiva para as minorias, criando a percepção de que o grupo maioritário as vê como uma parte indispensável da identidade nacional. Isto criará um clima em que os grupos minoritários sentem que podem manter aspectos importantes da sua identidade, levando-os a adoptar um modelo de dupla identidade.

 No entanto, para o grupo maioritário, esta indispensabilidade percebida resultará na adopção de um modelo de grupo único, que se foca nas semelhanças e não nas diferenças entre os grupos, perpetuando deste modo o status quo e reforçando a ilusão da existência de oportunidades iguais na sociedade.

Para testarmos estes pressupostos, irão ser realizados estudos correlacionais (questionários) e experimentais, com grupos maioritários e minoritários, em dois contextos nacionais que acreditamos exemplificar identidades nacionais étnicas (Portugal) e cívica (EUA).

A equipa tem o conhecimento e experiência necessários para conduzir este projecto com sucesso. Os membros são peritos em redução do preconceito e identidade, todos com um óptimo registo de publicações internacionais. Este projecto contribui para a investigação existente sobre a perspectiva funcional das relações entre grupos, explorando o papel de dois novos factores: a indispensabilidade dos grupos e o tipo de identidade nacional. Os resultados irão ainda oferecer recomendações concretas para políticas de integração.



Abstract (em inglês)

Research on prejudice reduction showed that inducing group members to conceive of themselves as a single inclusive group, rather than as separate groups, improves outgroup attitudes. However, the relative efficacy of different recategorization strategies, i.e. one group and dual identity (both superordinate and subgroup identities salient), for majorities and minorities is still not well understood. Divergent findings revealed that a more integrationist approach (dual identity), is more effective to reduce prejudice for minority groups. However, other research showed the opposite pattern of results, i.e. a more assimilationist strategy, emphasizing the common identity, was more effective for reducing prejudice for minority groups. Consistent with this reasoning, recent research on acculturation shows integration as a double-edge sword, having at the same time positive consequences for psychological adaptation and intergroup relations, while making minorities more susceptible and vulnerable to rejection from majority members . These different patterns support a functional perspective in which the preferred representation among minority and majority groups depends upon which strategy would most effectively promote each group’s goal. This project aims to examine how perceived indispensability of the groups to the superordinate national identity can explain a functional perspective of intergroup relations. We consider two forms of indispensability: identity indispensability, i.e. the notion of all groups as complementary parts of a larger picture, becoming indispensable for defining the common identity; and functional indispensability, based on Weber and Hertel (2007) work on motivation gains, i.e. indispensability reflects the perceived instrumentality of group’s effort for a superordinate outcome.

We seek to add to the existing research by exploring how different conceptualizations of national common identities prevailing in different societal contexts, impact group’s goals and strategies of integration. We believe the major theoretical contributions of this project is to test the functional perspective of intergroup relations, by investigating the impact of different conceptualizations of national identity on the effectiveness of one group and dual identity strategies, exploring the mediator role of identity and functional indispensability.

Based on the distinction between ethnic national identity (definition of the national membership in terms of ethnicity, historical ties or linguistic and cultural homogeneity) and civic national identity (national group membership does not depend on ancestry, but instead, on common citizenship and contribution to public life.), we have 4 main propositions:

An ethnic national identity will create, for minorities, the perception that majority group members regard them as having low identity indispensability to the national group. Consequently, they will react more favorably to a one-group representational model that further secures their belongingness to the culture.

In such a context, however, the majority group may prefer a dual identity model, which allows for some degree of positive differentiation, or even a more separatist model of social integration depending upon the perceived functional indispensability of the minority group for an economy that depends upon them to occupy subordinate occupational roles.

A civic national identity will be more inclusive of minority groups, inducing a sense that majority group members regard them as indispensable for the national identity. This will create a climate where minorities feel they can maintain valued aspects of their identity, thus they will endorse a dual identity model that more clearly captures their belongingness to the culture.

 For the majority group however, perceived indispensability will induce a one-group model of social integration, which permits a focus on similarities rather than differences among individuals and thereby helps to perpetuate the status quo reinforced by the illusion of universal equal opportunity within culture.

To test these research questions we will conduct survey and laboratory studies in two national contexts we believe exemplify ethnic (Portugal) and civic (US) national identities. Data will be collected for both majority and minority groups in both national contexts. Our team has the necessary expertise and experience to successfully complete this project. It includes experts on prejudice reduction, common identity and acculturation, all with a very good record of international publications. The present project will add to the existing literature on the functional perspective of majority/minority relations, by exploring the role of two new factors: indispensability of the groups and content of national identities. As importantly, our findings will put forward insights into concrete policy recommendations.

 
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